Diante de notas baixas e queixas da escola, muitos pais se sentem perdidos.
Este passo a passo mostra como identificar os sinais certos e escolher o tipo de avaliação ideal para entender o que realmente está acontecendo com seu filho.
Passo a passo: como escolher a avaliação certa para sua criança
1. Observe os sinais com clareza
Antes de buscar um profissional, anote quais sinais estão presentes e com que frequência ocorrem:
- Dificuldades acadêmicas específicas (ler, escrever, fazer contas)
- Esquecimentos, distração, desorganização
- Irritação, ansiedade, baixa autoestima
- Queixas físicas (dores, cansaço, sono alterado)
- Reclamações da escola (não acompanha, não entrega, comportamento)
Essas anotações ajudam a escolher o profissional certo e evitar etapas desnecessárias.
2. Comece por um desses 5 caminhos, de acordo com o padrão de sinais
A) Neuropsicólogo
Quando procurar:
- Há dúvidas sobre atenção, memória, linguagem, funções executivas
- As dificuldades impactam fortemente o desempenho escolar
- A criança parece entender, mas não consegue organizar ou concluir as tarefas
- Já passou por reforço, fono ou psicopedagogo e o problema persiste
O que ele faz:
- Avaliação ampla do funcionamento cognitivo
- Identificação de perfis de aprendizagem
- Relatório com orientações para família e escola
B) Pediatra
Quando procurar:
- Há suspeitas de problemas físicos ou neurológicos
- A criança apresenta sinais como sono ruim, alimentação irregular, dores frequentes, cansaço constante, alterações de visão ou audição
O que ele faz:
- Avaliação geral de saúde
- Solicita exames, triagens básicas
- Encaminha para especialistas (neuro, psicólogo, fono, etc.)
Vantagem:
É o primeiro contato mais comum e já conhece o histórico da criança.
C) Psicólogo clínico
Quando procurar:
- Há sinais de sofrimento emocional:
- Ansiedade, estresse, choro frequente
- Medo de ir à escola
- Baixa autoestima, frases como “sou burro”
- Conflitos familiares relacionados à escola
O que ele faz:
- Avaliação do estado emocional e comportamental
- Escuta terapêutica e intervenções
- Pode indicar outros profissionais se perceber causas cognitivas ou escolares
D) Fonoaudiólogo
Quando procurar:
- Há sinais persistentes de dificuldade na fala, linguagem ou leitura:
- Trocas de letras e sons (f/p, v/b)
- Dificuldade para entender instruções orais
- Leitura travada, sem fluidez
- Escrita com muitos erros mesmo após treino
O que ele faz:
- Avalia linguagem oral e escrita, leitura e compreensão
- Aponta se há atrasos ou distúrbios de linguagem
- Pode acompanhar junto a outros profissionais
E) Psicopedagogo ou avaliação pedagógica
Quando procurar:
- A maior dificuldade está no conteúdo escolar em si, e não necessariamente na linguagem, cognição ou comportamento
- O histórico escolar mostra lacunas antigas ou ensino pouco estruturado
- A criança compreende, mas não aprende com os métodos tradicionais
O que ele faz:
- Avaliação do processo de aprendizagem
- Detecta dificuldades pedagógicas
- Adapta estratégias de estudo e ensino
- Pode trabalhar junto com reforço escolar
3. Entenda que a avaliação ideal pode ser combinada
Na maioria dos casos, mais de um profissional será envolvido, cada um com seu papel. O ideal é:
- Começar por quem melhor se encaixa na queixa principal
- Levar o máximo de informações possíveis (boletim, cadernos, histórico, relatos)
- Solicitar relatório escrito, caso haja necessidade de compartilhar com escola ou outros especialistas
4. Envolva a escola de forma estratégica
Enquanto a avaliação acontece:
- Avise a coordenação e o(s) professor(es)
- Peça exemplos objetivos das dificuldades
- Combine ajustes temporários (tempo extra, reforço, menos tarefas)
5. Registre tudo
Mantenha um caderno ou arquivo com:
- Datas das queixas
- O que você tentou em casa
- Como a criança reagiu a mudanças
- Relatórios recebidos
- Reações da escola
Essas informações agilizam diagnósticos e aumentam a chance de estratégias mais eficazes.