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Mensagens da escola nem sempre dizem tudo.

Veja como interpretar e agir diante das reclamações mais comuns, passo a passo:

1. “Não presta atenção”

O que pode significar:

  • Dificuldade de manter foco em tarefas longas (atenção sustentada).
  • Sono irregular ou cansaço extremo.
  • Ambiente de sala muito barulhento ou com excesso de estímulos.
  • Ansiedade que impede concentração.
  • Dificuldade de entender o conteúdo (a criança “desliga” para evitar constrangimento).

Passo a passo:

  1. Pergunte à escola: em quais atividades isso mais acontece? É em leitura, matemática, escrita?
  2. Observe em casa: tarefas simples também causam distração ou é só na lição escolar?
  3. Analise rotina de sono, alimentação e tempo de tela.
  4. Teste instruções mais curtas e observe se há melhora.
  5. Registre situações em que a atenção foi mantida: o que ajudou?

2. “Não acompanha o conteúdo”

O que pode significar:

  • Base escolar fraca de anos anteriores.
  • Ritmo da turma muito acelerado.
  • Dificuldade específica (ex.: leitura lenta, cálculo).
  • Falta de apoio pedagógico ao longo do tempo.

Passo a passo:

  1. Peça à escola exemplos de tarefas que não foram acompanhadas.
  2. Veja se há padrão: sempre em leitura? Sempre com enunciado longo?
  3. Relembre se houve interrupções nos estudos (troca de escola, pandemia, doença).
  4. Faça atividades em casa com explicações pausadas para observar o ritmo.
  5. Se melhorar com apoio individual, pode ser base fraca — se não, vale investigar causas mais estruturais.

3. “Não termina as atividades”

O que pode significar:

  • Processamento cognitivo mais lento (leva mais tempo para pensar/responder).
  • Dificuldade em planejar e organizar o que precisa fazer.
  • Distração ou perda do foco no meio da tarefa.
  • Perfeccionismo: medo de errar e apagar várias vezes.

Passo a passo:

  1. Questione a escola sobre o tempo dado e o tempo usado pela criança.
  2. Pergunte: a criança inicia, mas não termina? Ou nem começa?
  3. Em casa, teste dividir a tarefa em blocos menores com pausas.
  4. Observe se ela trava quando a tarefa é longa, nova ou com pressão.
  5. Use cronômetro ou timer visual como apoio e veja se isso ajuda no ritmo.

4. “Não copia do quadro / caderno bagunçado”

O que pode significar:

  • Dificuldade de percepção visuoespacial (organizar o que vê no papel).
  • Problemas de coordenação motora fina (letra, espaço, alinhamento).
  • Falta de atenção ao copiar, trocando ou pulando partes.
  • Pressa excessiva para acabar rápido e evitar tédio ou frustração.

Passo a passo:

  1. Solicite à escola um exemplo do caderno e o quadro da mesma aula.
  2. Compare: o que foi omitido, o que está trocado?
  3. Observe em casa como ele copia de um livro ou celular — há pulos ou confusões?
  4. Dê modelo visual mais estruturado (linhas, colunas, cores) e analise se melhora.
  5. Se houver dificuldade persistente, vale consultar profissional (fono ou neuropsicopedagogo) para avaliar percepção e motricidade.

5. “Fala muito / atrapalha a aula”

O que pode significar:

  • Impulsividade: fala sem pensar, interrompe.
  • Tentativa de se enturmar (especialmente se sente dificuldade nas tarefas).
  • Ansiedade ou inquietação mental.
  • Fuga ativa: falar ou brincar para não fazer o que não domina.

Passo a passo:

  1. Pergunte à escola: em quais momentos ele mais fala? Antes de tarefas? Durante explicação?
  2. Pergunte se isso acontece com todos ou apenas com determinados professores ou colegas.
  3. Em casa, veja se ele interrompe constantemente, mesmo em jogos ou histórias.
  4. Proponha tarefas com tempo para falar: exemplo, “agora 2 minutos para contar sua ideia, depois começamos juntos”.
  5. Anote quando ele fala muito e o que estava acontecendo antes — isso ajuda a identificar se é ansiedade, fuga ou excitação social.

Resumo prático: como agir diante das reclamações

  • Peça sempre exemplos concretos. Frases vagas geram suposições. Peça para ver caderno, provas e tarefas.
  • Registre o contexto: em qual matéria, qual tipo de tarefa, com qual professor, em qual horário.
  • Observe em casa: os mesmos sinais aparecem? Ou é algo que só ocorre no ambiente escolar?
  • Teste adaptações simples: tempo extra, tarefa menor, instrução dividida, e veja o que muda.
  • Monte um relatório simples para levar à avaliação: o que a escola diz + o que você observou + o que tentou + o que funcionou.
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Aline Maia

Com mais de 20 anos de experiência no comportamento humano. Especializada em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva, Terapias Cognitivo-Comportamentais na Infância e Adolescência e Saúde Hospitalar com ênfase em Saúde Mental.
Gestora, Professora de desenvolvimento pessoal e dedicada a promover a saúde mental e qualidade de vida dos pacientes.

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